Ultimamente tenho andado tão sensível, sabe? Sensível a nós, sensível a você, sensível a mim.. enfim, tenho andado com um aperto no peito que não sei qual nome dar. Tentei ver se esse aperto se encaixava com seu nome, quase deu! Mas seu nome ficou pequeno, faltaram uns pedacinhos aqui, outros acolá, então logo lembrei onde estavam esses pedaços, -que na verdade se juntos davam até um bocado-. Fui lembrando da estrada quando ainda caminhávamos, me lembrei dos momentos difíceis e enquanto o filme passava, pude perceber, lá no cantinho, onde ninguém nunca tinha reparado. Vi um dos pedacinhos que faltava, e quanto mais o filme passava, mas eu ia vendo; um pedacinho de cada vez, e assim eles continuaram a cair e foram ficando, deixados pelo meio do caminho. Ai, lembrei porque estou sensível. Sensível porque doeu, porque cada pedaço foi caindo de mim, deixando um buraco, um vazio imenso. E hoje, cá estamos, eu aqui, você ai. O que custava ter apanhando os pedaços que foram caindo e nunca mais ter deixado nenhum outro cair? Talvez te custasse muita coisa. E custou. Custou a gente. Se é que algum dia “a gente” existiu.
... uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para a frente. Foi o apesar de que me deu uma angústia que insatisfeita foi a criadora de minha própria vida. Foi apesar de que parei na rua e fiquei olhando para você enquanto você esperava um táxi. E desde logo desejando você, esse teu corpo que nem sequer é bonito, mas é o corpo que eu quero. Mas quero inteira, com a alma também. Por isso, não faz mal que você não venha, espararei quanto tempo for preciso.
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